Departamento de Justiça dos EUA anuncia a divulgação completa dos arquivos de Epstein

De acordo com o jornal ‘POLITICO’, os ficheiros agora tornados públicos incluem cerca de 2.000 vídeos e aproximadamente 180.000 imagens, após um processo prolongado de identificação e revisão documental

Francisco Laranjeira
Janeiro 30, 2026
18:31

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos começou a divulgar mais de três milhões de páginas de documentos relacionados com o caso do criminoso sexual condenado Jeffrey Epstein, anunciou esta sexta-feira o vice-procurador-geral Todd Blanche. A divulgação surge no âmbito da lei aprovada pelo Congresso no ano passado que obriga à publicação de todo o material em posse do departamento sobre o processo.

De acordo com o jornal ‘POLITICO’, os ficheiros agora tornados públicos incluem cerca de 2.000 vídeos e aproximadamente 180.000 imagens, após um processo prolongado de identificação e revisão documental. Todd Blanche afirmou que esta etapa cumpre integralmente as obrigações legais impostas ao Departamento de Justiça.

“A divulgação de hoje marca o fim de um processo muito abrangente de identificação e revisão de documentos para garantir transparência ao povo americano e conformidade com a lei”, afirmou Blanche, citado pelo ‘POLITICO’, sublinhando que se tratou de um esforço “sem precedentes” por parte do departamento.

Divulgação após atraso legal

A libertação dos documentos ocorre mais de um mês depois de o governo de Donald Trump ter ultrapassado o prazo legal de 19 de dezembro para tornar público todo o material relacionado com o caso Epstein. As autoridades justificaram o atraso com a necessidade de analisar cuidadosamente os ficheiros, embora alguns documentos tenham sido divulgados no final do ano passado, incluindo fotografias do ex-presidente Bill Clinton.

Clinton não foi acusado de qualquer irregularidade relacionada com Epstein e pediu publicamente a divulgação integral dos arquivos. Tal como Donald Trump, também não foi implicado em comportamentos ilegais no âmbito deste caso.

Respondendo a críticas de que o Governo estaria a atrasar deliberadamente o processo, Blanche rejeitou de forma categórica essa leitura. “Discordo veementemente da sugestão, que é totalmente falsa, de que o procurador-geral ou este Departamento não levem a sério a exploração infantil ou o tráfico sexual”, afirmou numa conferência de imprensa na sede do Departamento de Justiça.

Pressão política e suspeitas dos democratas

Segundo o ‘POLITICO’, vários democratas acreditam que o Governo resistiu durante meses à divulgação dos ficheiros por receio de expor Trump, que manteve uma relação de longa data com Epstein. O presidente americano afirmou, contudo, que se desentendeu com Epstein anos antes e nunca foi acusado de qualquer envolvimento criminal.

Blanche garantiu que não houve qualquer proteção seletiva. “Não protegemos o presidente Donald Trump, não protegemos nem deixamos de proteger ninguém”, afirmou, acrescentando que a divulgação poderá não satisfazer as expectativas do público. “Há uma fome, uma sede de informação que não creio que será saciada pela análise desses documentos.”

Redações e proteção das vítimas

O vice-procurador-geral explicou que os documentos divulgados incluem redações destinadas a proteger a identidade das mulheres envolvidas, com exceção de Ghislaine Maxwell, associada de Epstein, atualmente a cumprir uma pena de 20 anos de prisão pelo seu papel no esquema. Blanche reconheceu que erros são “inevitáveis” e indicou que eventuais vítimas expostas inadvertidamente poderão contactar o departamento para corrigir a situação.

Nenhum dos ficheiros foi editado por motivos de segurança nacional, apesar de essa possibilidade estar prevista na lei aprovada em novembro. Blanche acrescentou ainda que os legisladores poderão coordenar-se com o Departamento de Justiça para consultar versões não redigidas dos materiais, sendo também comunicados ao Congresso os motivos das redações e os nomes dos funcionários do governo mencionados nos documentos.

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